RELATÓRIO FINAL E COMPLETO DA COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE DO PARANÁ. VOLUMES UM E DOIS

Composto de dois volumes e quase 900 páginas,  que se somam a milhares de documentos anexos, o Relatório Final da Comissão Estadual da Verdade – Teresa Urban, entregue no último dia 27 de novembro de 2017 ao povo paranaense é o resultado de um longo esforço de mobilização de vítimas  e familiares de mortos e desaparecidos políticos pelo direito à verdade e à memória, com vistas à justiça de transição. Todo este esforço, por décadas foi capitaneado por movimentos como os Grupos Tortura Nunca Mais  e a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, aproximou outras forças dos movimentos sociais e instituições públicas e privadas que no ano de 2012 constituíram o Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, no intuito de dar materialidade em solo paranaense ao esforço de investigação que se iniciava naquele momento no âmbito da Comissão Nacional da Verdade.

A Audiência Pública de entrega do Relatório, mais que uma formalidade necessária, foi um ato importante de entrega do resultado das investigações às autoridades estaduais para as quais a Comissão Estadual da Verdade direciona um conjunto amplo de recomendações a serem implementadas.Organizadas em blocos, uma parte das recomendações se referem a casos específicos investigados, outra parte diz respeito a questões mais amplas e que visam prevenir as gerações futuras, através do conhecimento dos fatos da história, dos riscos à vida, à liberdade e à dignidade humana que representam regimes de exceção como foi a ditadura civil-militar brasileira de 1964.

Dentre essas recomendações, destaca-se a constituição de um grupo permanente de acompanhamento da implementação das mesmas e que deverá também dar continuidade às investigações de casos que requerem aprofundamento, bem como de novos casos não investigações nessa etapa. Atendendo a esta recomendação, o Governador do Estado Beto Richa assinou no mesmo dia 27 decreto que institui o Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Paraná, no qual consta que “Entre as atribuições do comitê está a de acompanhar e estimular o cumprimento das recomendações contidas no relatório; propor a elaboração de políticas vinculadas à promoção do direito à memória, verdade e justiça; estimular estudos e pesquisas sobre a temática, entre outras ações.”

O texto integral do Relatório, bem como os documentos que compões os seus anexos e todo o acervo da  Comissão, incluindo o arquivo DOPS-PR estão sendo reunidos em um repositório digital para acesso via internet, de modo a garantir o acesso público, integral e irrestrito deste acervo a toda sociedade paranaense de brasileira, em consonância e se somando assim ao acervo da Comissão Nacional da Verdade e ao Brasil Nunca Mais Digital, bem como das demais comissões da verdade de outros estados, municípios e instituições.

Acesse aqui o sítio da Comissão da Verdade do Paraná onde está a íntegra do Relatório Final.

Ou clique abaixo para acesso direto aos volumes:

Fuente: Plural

Jornalista está sendo processado por denunciar torturas feitas pelo ex-militar Mario Espedito Ostrovski

O jornalista Aluízio Palmar está sendo processado por ter noticiado torturas ocorridas em 1969, no então 1º Batalhão de Fronteiras, localizado em Foz do Iguaçu, Paraná.

O autor do processo é o ex-tenente Mario Espedito Ostrovski, que é citado como torturador no livro Brasil Nunca Mais – BNM e no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade.

As primeiras notícias sobre as torturas praticadas por Ostrovski, ocorreram em 1985, quando veio a público o relatório do projeto BNM, coordenado pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, pelo Rabino Henry Sobel e pelo Pastor presbiteriano Jaime Wright.

Na época, a Nação ficou chocada ao tomar conhecimento dos casos de torturas praticados pelos agentes da ditadura militar. Um dos casos que mais impactou a opinião pública, foi o de Isabel Fávero, uma jovem professora de escola rural no interior do Paraná.

Conta Isabel, que após sua prisão em 1969, ela e seu marido foram levados para o quartel do Exército, em Foz do Iguaçu e no local, o então tenente Espedito lhe aplicou choques elétricos nos mamilos, genitália e nas extremidades do corpo. Estava grávida de dois meses e devido às torturas, sofreu um aborto. A jovem professora revelou ainda que após o aborto, sangrou durante dias, sem possibilidade de fazer qualquer tipo de higiene.

Além de constar nas páginas 136 e 137 do Tomo II Vol. 1, da Pesquisa BNM, as denúncias das torturas praticadas por Ostrovski estão registradas no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade.

Em 2013, as denúncias de torturas infligidas a presos políticos pelo tenente Espedito Ostrovski, voltaram à tona, quando Izabel Fávero, Aluízio Palmar, Ana Beatriz Fortes e Alberto Fávero relataram as sevícias a que foram vítimas no batalhão do exército em Foz do Iguaçu.

Essas denúncias, feitas durante uma Audiência Pública da Comissão Nacional da Verdade, realizada no plenário da Câmara Municipal, tiveram ampla repercussão. Na ocasião, populares realizaram uma manifestação em frente ao escritório de Espedito.

Torturas praticadas pelo ex-tenente Mário Espedito Ostroviski
Cronograma das denúncias

1985 – Projeto Brasil Nunca Mais – informações nas páginas. 136 e 137 do Tomo II Vol. 1. Depoimento contundente de Luiz Andrea Fávero.

1985 – O jornal Correio de Notícias, de Curitiba, publicou na capa notícia que o governador José Richa exonerou da chefia da Assessoria de Segurança e Informações da Copel, devido as denúncias de torturas cometidas pelo ex-tenente.

2005 – Livro “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?, autor Aluízio Palmar, Editora Alameda, páginas 36, 66, 68,74, 206 e 261.

2013 – Audiência Pública da Comissão Nacional da Verdade. Depoimentos de Aluízio Palmar, Isabel Fávero, Ana Beatriz Fortes e Alberto Fávero.

2013 – Ampla repercussão do vídeo com depoimento de Isabel Fávero, onde ela conta as torturas sofridas e denuncia Mário Espedito Ostrovski como torturador. Esse vídeo está hospedado no youtube

2013 – Notícias das torturas no batalhão do Exército em Foz do Iguaçu: Site da Secretaria de Estado da Justiça – Paraná; Portal G1; Portal H2Foz; Site do Fórum Paranaense da Verdade Memória e Justiça

2015 – Relatório da Comissão Nacional da Verdade

Além de seu nome consta na lista de torturadores, Mário Espedito Ostrovski é citado nas páginas 638, 766 e 914.

Ass: Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu

Fuente: Desacato