Declaração de José Carlos Moreira da Silva Filho

Após analisar cuidadosamente as informações recebidas e a repercussão dos fatos recentes ocorridos em Cuba, chego à conclusão de que as notícias relativas a um suposto levante da população cubana contra seu governo e uma suposta ação de bloqueio do governo cubano à ajuda humanitária que entidades e organizações querem prover, não passa de mais uma tentativa de desinformação.

A desinformação espalhada não hesita inclusive em fazer uso de fake news, imagens de outros eventos, como as manifestações no Egito anos atrás ou a comemoração em Buenos Aires pela vitória na Copa América. A verdade é que no último domingo não houve levante algum, mas sim algumas manifestações pontuais e insufladas pelas estratégias de sempre do império estadunidense (que financia toda e qualquer ação projetada para desestabilizar o governo cubano), e que agora já são suplantadas pelo largo contingente da população que apoia a revolução cubana. O Presidente cubano, Diaz-Canel, foi às ruas conversar e dialogar com o povo cubano. Não houve bala de borracha nos olhos como ocorreu no Chile, não houve assassinatos e espancamentos como houve na Colômbia, não houve joelho na garganta asfixiando e matando a população afrodescendente como houve nos EUA.

A estratégia da “ajuda humanitária” comandada pelos EUA já devia ser algo mais do que manjado a esta altura. Vivemos em um contexto de nítida ingerência de Washington em diversos países da América Latina, inclusive no Brasil. O bloqueio que realmente prejudica o povo cubano não é o impedimento a uma suposta ajuda humanitária, mas sim o embargo e o bloqueio econômico determinado pelo país mais poderoso da terra, e que mesmo assim não consegue derrubar esta pequena e brava ilha, cujo exemplo de solidariedade ficou nítido nas diversas missões médicas enviadas por todo mundo durante a pandemia de COVID-19.

Já estive em Havana. Fui muito bem recebido e acolhido em 2014, e pude ver com meus próprios olhos duas coisas: que o bloqueio é o pior problema do povo cubano, que cruelmente os EUA ainda o mantém, o que é absolutamente injustificável e odioso; e que o povo cubano apoia em peso o modelo político adotado, que contempla a participação popular e democrática em diversos níveis, e o legado da revolução cubana.

Transmito minha solidariedade ao povo cubano e manifesto meu repúdio ao odioso bloqueio econômico que sofre, agravado por medidas cruéis tomadas no governo Trump e mantidas no governo Biden, ainda mais em um contexto de pandemia, no qual faltam insumos para diversos produtos e principalmente para o enfrentamento da emergência sanitária. É de se notar e de se admirar que, mesmo em meio a tanta adversidade e pressão, Cuba desenvolveu a vacina soberana contra a COVID-19, e mantém níveis gerais de acesso à educação, à saúde e ao mínimo social, só não estando em melhor situação justamente por conta do nefasto bloqueio econômico.

José Carlos Moreira da Silva Filho
Ex Vice-Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça do Brasil
Sócio Fundador da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD
Professor Universitário e Pesquisador da área do Direito no Rio Grande do Sul

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