É preciso frear Bolsonaro

Com publicação exclusiva a assinantes, o site de Glenn Greenwald, The Intercept Brasil, explica que, por ser “… preciso frear Bolsonaro”, suas publicações interferem diretamente nas decisões da justiça e alteram o destino do país – A matéria é de Andrew Fishman – Editor Geral. leia abaixo:

Durante todo o ano, o Intercept publicou reportagens que expõem um absurdo atrás do outro: juízes que vendem sentenças; os planos alucinados dos militares para destruir a Amazônia; graves caso de violência de gênero; a brutalidade da indústria dos agrotóxicos; a devastadora política ambiental bolsonarista liderada por Ricardo “Yale” Salles; o poder das milícias; a conivência de Google, YouTube e Facebook com a propagação de discursos de ódio; e, sobretudo, os abusos e ilegalidades da operação Lava Jato. 

Quase sempre contamos histórias duras e desanimadoras. Mas há uma luz no fim desse túnel: nosso trabalho tem resultado. Às vezes acontece a reversão de uma política, como no caso das terras indígenas que a Funai ia transformar em hotel de luxo. Às vezes conseguimos a renúncia de quem não devia ocupar certos cargos, como no caso da promotora que investigava o caso Marielle. Em outros casos, corruptos precisam devolver dinheiro, como aconteceu com Raíssa Tavolaro (a advogada e esposa do atual presidente do CNN Brasil). Acontece também de pessoas injustiçadas serem inocentadas, como ocorreu com os brigadistas de Alter do Chão. 

Bolsonaro e sua trupe estão pilotando uma escavadeira para demolir o Brasil. Nosso trabalho é ser o freio.

São muitas as histórias que contamos em 2019 e que deram algum resultado. Vou focar em quatro delas, bem diferentes, todas muito fortes. 

Em fevereiro, publicamos uma reportagem contando como a Fiat espionou funcionários brasileiros e colaborou com o sistema de repressão do governo militar em troca de informações sobre o movimento sindical. Meses depois, o MPF de Minas decidiu abrir uma investigação sobre os crimes da Fiat no Brasil e eles tiveram que se explicar. 

Outro caso emblemático para a gente é a história do professor Pedro Mara. Ele estava na lista das pessoas pesquisadas por Ronnie Lessa, o PM acusado de assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes. Diante das ameaças, Pedro buscou apoio na Comissão de Direitos Humanos da Alerj,  e na OAB. Apesar do apoio desses órgãos, o professor passou a enfrentar um processo de exoneração por ter faltado duas semanas de aula na qual cumpria um protocolo de segurança. Correndo sério risco de vida, ficou afastado da escola e sem salário. Nós o convidamos para compartilhar sua história e, depois da repercussão, ele foi recontratado, e o processo foi extinto. 

Fizemos muita coisa neste ano, mas você sabe que nada tão forte quanto a Vaza Jato. Este é o maior impacto do nosso trabalho em 2019: nossas revelações provaram que a narrativa de rigor e boas intenções da operação Lava Jato foi apenas papo para a imprensa. Expusemos o conluio entre procuradores e magistrado, as negociatas espúrias, o absoluto desrespeito às instituições e omissão das instâncias de controle. Estas instituições, que muitas vezes contribuíram com a enganação do público, até agora fizeram muito pouco diante das revelações. Ainda assim, nosso trabalho foi fundamental para uma transformação profunda no entendimento público de quem de fato são personagens como Dallagnol e Moro. O jogo mudou.

No Peru, nosso vizinho, as denúncias sobre a Lava Jato local surtiram um efeito imediato. Após nossas revelações exclusivas, o Ministério Público peruano abriu uma investigação para apurar os fatos. Impacto internacional você também encontra no TIB (por isso publicamos nossas melhores matérias em inglês)!

Tudo isso só foi possível graças aos nossos leitores. Investigações foram abertas, indígenas tiveram suas terras protegidas, pessoas reagiram a injustiças, revertemos prisões e expusemos os desmandos da Lava Jato. 

RELATÓRIO FINAL E COMPLETO DA COMISSÃO ESTADUAL DA VERDADE DO PARANÁ. VOLUMES UM E DOIS

Composto de dois volumes e quase 900 páginas,  que se somam a milhares de documentos anexos, o Relatório Final da Comissão Estadual da Verdade – Teresa Urban, entregue no último dia 27 de novembro de 2017 ao povo paranaense é o resultado de um longo esforço de mobilização de vítimas  e familiares de mortos e desaparecidos políticos pelo direito à verdade e à memória, com vistas à justiça de transição. Todo este esforço, por décadas foi capitaneado por movimentos como os Grupos Tortura Nunca Mais  e a Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, aproximou outras forças dos movimentos sociais e instituições públicas e privadas que no ano de 2012 constituíram o Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, no intuito de dar materialidade em solo paranaense ao esforço de investigação que se iniciava naquele momento no âmbito da Comissão Nacional da Verdade.

A Audiência Pública de entrega do Relatório, mais que uma formalidade necessária, foi um ato importante de entrega do resultado das investigações às autoridades estaduais para as quais a Comissão Estadual da Verdade direciona um conjunto amplo de recomendações a serem implementadas.Organizadas em blocos, uma parte das recomendações se referem a casos específicos investigados, outra parte diz respeito a questões mais amplas e que visam prevenir as gerações futuras, através do conhecimento dos fatos da história, dos riscos à vida, à liberdade e à dignidade humana que representam regimes de exceção como foi a ditadura civil-militar brasileira de 1964.

Dentre essas recomendações, destaca-se a constituição de um grupo permanente de acompanhamento da implementação das mesmas e que deverá também dar continuidade às investigações de casos que requerem aprofundamento, bem como de novos casos não investigações nessa etapa. Atendendo a esta recomendação, o Governador do Estado Beto Richa assinou no mesmo dia 27 decreto que institui o Comitê Estadual de Memória, Verdade e Justiça do Paraná, no qual consta que “Entre as atribuições do comitê está a de acompanhar e estimular o cumprimento das recomendações contidas no relatório; propor a elaboração de políticas vinculadas à promoção do direito à memória, verdade e justiça; estimular estudos e pesquisas sobre a temática, entre outras ações.”

O texto integral do Relatório, bem como os documentos que compões os seus anexos e todo o acervo da  Comissão, incluindo o arquivo DOPS-PR estão sendo reunidos em um repositório digital para acesso via internet, de modo a garantir o acesso público, integral e irrestrito deste acervo a toda sociedade paranaense de brasileira, em consonância e se somando assim ao acervo da Comissão Nacional da Verdade e ao Brasil Nunca Mais Digital, bem como das demais comissões da verdade de outros estados, municípios e instituições.

Acesse aqui o sítio da Comissão da Verdade do Paraná onde está a íntegra do Relatório Final.

Ou clique abaixo para acesso direto aos volumes:

Fuente: Plural