Jovens se penduram em paus de arara em ato de valorização da democracia na Praia de Copacabana

Protesto da ONG Rio de Paz foi marcado para esta terça (10), Dia Mundial da Declaração dos Direitos Humanos, e tem como objetivo ressaltar a importância dos direitos civis.

Vinte e um voluntários se penduraram em paus de arara nas areias da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, na manhã desta terça-feira (10), Dia da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A ação, da ONG Rio de Paz, tem como objetivo ressaltar a necessidade de valorização da democracia e das garantias estabelecidas pela Constituição Federal de 1988.

De acordo com o presidente da organização, Antônio Carlos Costa, a mobilização maior de voluntários foi de jovens na faixa etária dos 20 anos, que não vivenciaram o período da ditadura civil-militar no Brasil, ocorrida entre 1964 e 1985.

“Houve muita comoção porque eles não aguentaram ficar mais do que cinco minutos pendurados. Sentiram dores e dificuldade de respirar. Tudo isso comoveu muito eles por pensarem nas pessoas que ficavam um dia inteiro nos paus de arara, sofrendo todo tipo de violência física na ditadura”, afirma Antônio Carlos.

As vinte e uma estacas fincadas na areia da Praia de Copacabana fazem referência aos 21 anos do regime militar no país e simbolizam os paus de arara, símbolo da violência praticada contra opositores do regime.

Ainda de acordo com o presidente da ONG, o ato também busca alertar sobre as declarações de autoridades sobre o AI-5, considerado um dos atos de maior poder repressivo tomados durante a ditadura, pois resultou na cassação mandatos políticos e suspensão de garantias constitucionais.

“Escolhemos esse tema no Dia da Declaração dos Direitos Humanos porque temos um presidente da República que celebra esse período. Recentemente, vimos o filho dele propor o AI-5 como opção para uma possível mobilização da sociedade”, relembra Antônio Carlos sobre a fala de Eduardo Bolsonaro durante entrevista.

Fuente: Globo

Voluntários penduram a Constituição Federal de 1988 em pau de arara na Praia de Copacabana — Foto: Reprodução/TV Globo

Mulheres negras querem viver e amar como todas as pessoas do planeta. Por Marcos Aurélio Ruy

Nesta terça-feira (10) – Dia Internacional dos Direitos Humanos – termina a campanha mundial dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher. Muito importante destacar a situação que vivem as mulheres negras, 25% da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Desde o período colonial, as mulheres negras carregam a nossa nação nos ombros e, apesar disso, em pleno século 21, sofrem mais que as outras com o assédio, seja no trabalho, na rua, em todos os lugares”, afirma Mônica Custódio, secretária de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “Mesmo assim elas ficam de pé para serem respeitadas como se deve e terem direito à vida como todas as pessoas devem ter.”

Os dados são aterradores. O Mapa da Violência 2015, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), mostra que houve um crescimento de 54,2% de assassinatos de mulheres negras entre 2003 e 2013, enquanto o de mulheres brancas caiu 9,8%.

“É a face mais cruel do racismo estrutural do país, que foi o último do Ocidente a abolir a escravidão”, reforça Mônica. A pesquisa Desigualdades Sociais por Cor ou Raça, do IBGE, mostra que em 2018, as mulheres negras ganharam 44,4% do que receberam os homens brancos. Além disso, a população negra tinha somente 29,9% dos cargos de gerência, as mulheres bem menos.

Já um estudo do Instituto Locomotiva apresenta dados significativos. Os dados mostram que 8,3 milhões de mulheres ingressaram no mercado de trabalho, nos últimos 20 anos e que 29 milhões de lares são chefiados por mulheres no país. Porém, apenas 47% das mulheres brasileiras possuem conta bancária e somente 31% se dizem seguras financeiramente.

O racismo do mercado de trabalho é transparente, De acordo com o Locomotiva, em 2018, o rendimento médio mensal das pessoas ocupadas brancas foi 73,9% superior ao das pretas ou pardas.

Ainda de acordo com o IBGE, 39,8% de mulheres negras compõem o grupo submetido a condições precárias de trabalho, enquanto os homens negros abrangem 31,6%, as mulheres brancas representam 26,9% e homens brancos, 20,6%.

Além de enfrentarem todas essas adversidades, assegura Mônica, as mulheres negras são as maiores vítimas de assédio moral e sexual. Isso num país que tem cerca de 50 mil estupros registrados por ano.

“As negras moram mais longe, têm os trabalhos em piores situação e vivem na total insegurança”, afirma a sindicalista carioca. E ainda, “sofrem com as constantes mortes de seus filhos, pelo simples fato de serem pobres e estarem nas ruas”.

“O assédio é mais uma forma de tentativa de desumanização das mulheres negras. Servem para o sexo, mas insuficientes para casar”. Prevalece a mentalidade escravocrata, quando os senhores estupravam as escravas.

No século 21, “criam formas de fortalecer a solidão da mulher negra (emocional, social, cultural e histórica) para facilitar o argumento da desestruturação familiar e assim justificar a ação do Estado no controle social, diga-se genocídio da juventude negra”.

Mesmo com tudo isso, “resistimos e lutamos para construir o novo. Uma sociedade sem discriminações, sem racismo, sem sexismo. Uma sociedade onde todas as pessoas, indistintamente, possam viver e amar como qualquer ser humano deve viver e amar”, conclui Mônica.
Fuente: Jornal Tornado