26 de julho é o Dia da Rebeldia Cubana.

Neste dia, em 1953 os revolucionários cubanos realizaram um ataque ao Quartel Moncada em Santiago. Em uma atividade aparentemente frustrada (feridos, mortos, presos) esse episódio seria o começo da Revolução Cubana cinco anos depois em janeiro de 1959.

Da prisão Fidel Castro escreveria sua própria defesa : “A história me absolverá” que depois, divulgada, seria a base das transformações em Cuba.

Atualmente vivemos um período difícil para quem quer as transformações. Golpes,robôs, fakenews, lawfare, enfim, perseguições de todo tipo só fazem confirmar que outro mundo é possível – e necessário.

Daí que nesse dia 26 o Comitê Carioca e o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) convidam – quem quiser encontrar com pessoas de verdade e pensamentos progressistas – para vir a Santa Teresa quinta-feira, na casa Raízes do Brasil.

Vamos fazer uma festa em homenagem à rebeldia necessária.

Vamos comer como cubanos, beber mojitos, ouvir música cubana, aprender uns com os outros. E comemorar o triunfo de uma Revolução que transformou a América Latina.

Este ano nossa convidada pra conversar e contar um pouco sobre Cuba é a escritora e presidente da Rede em Defesa da Humanidade Marília Guimarães, que viveu 10 anos na Ilha e tem muitas histórias pra contar !!!

Também vamos ter sorteio de bonés, charutos, camisas temáticas, livros (inclusive os da Marília !)

A noite vai ser boa !

O eclipse da ética na atualidade. Leonardo Boff

Entre os dias10-13 de julho realizou-se em Belo Horizonte um congresso internacional organizado pela Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) em torno dos temas: Religião, Ética e Política. As exposições foram de grande atualidade e de qualidade superior. Refiro-me apenas à discussão acerca do Eclipse da Ética que me coube introduzir.

A meu ver dois fatores atingiram o coração da ética: o processo de globalização e a mercantilização da sociedade.

A globalização mostrou os vários tipos de ética, consoante as diferenças culturais. Relativizou-se a ética ocidental, uma entre tantas. As grandes culturas do Oriente e as dos povos originários revelaram que podemos ser éticos de forma muito diferente.

Por exemplo, a cultura maia coloca tudo centrado no coração, já que todas as coisas nasceram do amor de dois grandes corações, do Céu e da Terra. O ideal ético é criar em todas as pessoas corações sensíveis, justos, transparentes e verdadeiros. Ou a ética do “bien vivir y convivir” dos andinos assentada no equilíbrio com todas as coisas, entre os humanos, com a natureza e com o universo.

Tal pluralidade de caminhos éticos teve como consequência, uma relativização generalidade. Sabemos que a lei e a ordem, valores da prática ética fundamental, são os pré-requisitos para qualquer civilização em qualquer parte do mundo. O que observamos é que a humanidade está cedendo diante da barbárie rumo a uma verdadeira idade das trevas mundial, tal é o descalabro ético que estamos vendo.

Pouco antes de morrer em 2017 advertia o pensador Sigmund Bauman:”ou a humanidade se dá as mãos para juntos nos salvarmos ou então engrossaremos o cortejo daqueles que caminham rumo ao abismo”. Qual é a ética que nos poderá orientar como humanidade vivendo na Casa Comum?

O segundo grande empecilho à ética é aquilo que Karl Polaniy chamava já em 1944 de “A Grande Transformação”. É o fenômeno da passagem de uma economia de mercado para uma sociedade puramente de mercado. Tudo se transforma em mercadoria, coisa já prevista por Karl Marx em seu texto A miséria da Filosofia de 1848, quando se referia ao tempo em que as coisas mais sagradas como a verdade e a consciência seriam levadas ao mercado; seria “tempo da grande corrupção e da venalidade universal”. Pois vivemos este tempo. A economia especialmente a especulativa dita os rumos da política e da sociedade como um todo. A competição é sua marca registrada e a solidariedade praticamente desapareceu.

O que é o ideal ético deste tipo de sociedade? É a capacidade de acumulação ilimitada e de consumo sem peias, gerando uma grande divisão entre um pequeníssimo grupo que controla grande parte da economia e as maiorias excluídas e mergulhadas na fome e na miséria.   Aqui se revelam traços de barbárie e crueldade como poucas vezes na história.

Precusamos refundar uma ética que se enraíze naquilo que é específico nosso, enquanto humanos e que, por isso, seja universal e possa ser assumida por todos.

Estimo que que em primeiríssimo lugar é a ética do cuidado que segundo a fabula 220 do escravo Higino e bem interpretada por Martin Heidegger em Ser e Tempo constitui o substrato ontológico do ser humano, aquele conjunto de fatores sem os quais jamais surgiria o ser humano e outros seres vivos. Pelo fato de o cuidado ser da essência do humano, todos podem vive-lo e dar-lhe formas concretas, consoantes suas culturas.. O cuidado pressupõe uma relação amigável e amorosa para com a realidade, da mão estendida para a solidariedade e não do punho cerrado para a dominação. No centro do cuidado está a vida. A civilização deverá ser bio-centrada.

Outro dado de nossa essência humana é solidariedade e a ética que daí se deriva. Sabemos hoje pelo bio-antropologia que foi a solidariedade de nossos ancestrais antropoides que permitiu dar o salto da animalidade para a humanidade. Buscavam os alimentos e os consumiam solidariamente. Todos vivemos porque existiu e existe um mínimo de solidariedade, começando pela família. O que foi fundador ontem, continua sendo-o ainda hoje.

Outro caminho ético, ligado à nossa estrita humanidade é a ética da responsabilidade universal, Ou assumimos juntos responsavelmente o destino de nossa Casa Comum ou então percorreremos um caminho sem retorno. Somos responsáveis pela sustentabilidade de Gaia e de seus ecossistemas para que possamos continuar a viver junto com toda a comunidade de vida.

O filosofo Hans Jonas que,por primeiro, elaborou “O Princípio Responsabilidade”, agregou a ele a importância do medo coletivo. Quando este surge e os humanos começam a dar-se conta de que podem conhecer um fim trágico e até de desaparecer como espécie, irrompe um medo ancestral que os leva a uma ética de sobrevivência. O pressuposto inconsciente é que o valor da vida está acima de qualquer outro valor cultural, religioso ou econômico.

Por fim importa resgatar a ética da justiça para todos. A justiça é o direito mínimo que tributamos ao outro, de que possa continuar a existir e dando-lhe o que lhe cabe como pessoa. Especialmente as instituições devem ser Justas e equitativas para evitar os privilégios e as exclusões sociais que tantas vítimas produzem, particularmente nosso país, um dos mais desiguais, vale dizer, mais injustos do mundo. Daí se explica o ódio e as discriminações que dilaceram a sociedade, vindos não do povo mas daquelas elites endinheiradas que sempre viveram do privilégio. Atualmente vivemos sob um regime de exceção, no qual tanto a Constituição e as leis são pisoteadas ou mediante o Lawfare (a interpretação distorcida da lei que o juiz pratica para prejudicar o acusado)

A justiça não vale apenas entre os humanos mas também para com a natureza e a Terra que são portadores de direitos e por isso devem ser incluídos em nosso conceito de democracia sócio-ecológica.

Estes são alguns parâmetros mínimos para uma ética, válida para cada povo e para a humanidade, reunida na Casa Comum. Devemos incorporar uma ética da sobriedade compartida para lograr o que dizia Xi Jinping, chefe supremo da China “uma sociedade moderadamente abastecida”.Isto significa um ideal mínimo e alcancável. Caso contrario poderemos conhecer um armagedon social e ecológico.

Leonardo Boff escreveu: “Como cuidar da Casa Comum, Vozes 2018.

https://leonardoboff.wordpress.com/2018/07/16/o-eclipse-da-etica-na-atualidade-2/

 

Deputados podem votar projeto sobre reposição florestal durante recesso

Um dos itens da proposta é repassar a responsabilidade da reposição florestal com créditos de carbono para a Femarh


Por Folha Web

Representantes de 45 empresas do setor madeireiro se reuniram com deputados estaduais na Assembleia Legislativa de Roraima ontem, 16, para pedir apoio para a aprovação do projeto de lei sobre reposição florestal que vem sendo pleiteado pelo líder do governo, deputado estadual Brito Bezerra (PP), há bastante tempo. Segundo os empresários, o setor tem sido seriamente prejudicado pelo fato de haver apenas uma empresa responsável pelo processo, e que não atende a demanda. Durante a reunião, o presidente da Casa, deputado Jalser Renier (SD), adiantou que a intenção é avaliar a proposição ainda durante o recesso parlamentar.

A reposição florestal é a compensação pela extração de vegetação natural, medida obrigatória para as madeireiras. Pela proposta, de autoria dos deputados estaduais Brito Bezerra e Jânio Xingu (PSB), o processo de reposição florestal ficaria a cargo do Governo do Estado, por meio da Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh).

Com o projeto aprovado, o metro cúbico da reposição passaria a ser comercializado por R$ 16,87 a R$ 25,67, sob intervenção da Femarh. Atualmente, é cobrado R$ 30,00 pela empresa privada de manejo florestal. “O setor vive uma situação caótica, em que 95% das empresas estão paralisadas. Nós dispúnhamos de 2.500 postos de trabalho que estão sendo abandonados por falta de condições de trabalho”, explicou o presidente do Sindicato das Indústrias de Madeira do Estado de Roraima (Sindimadeiras), Odebe de Magalhães, ao afirmar que das 45 empresas atuantes no setor, apenas três estão em funcionamento e uma delas ameaça parar já nos próximos dias.

Segundo Magalhães, é preciso que o Estado tenha políticas públicas voltadas para a reposição florestal. “O empenho dos deputados está sendo importante para alavancar todo esse segmento que é de suma importância para o desenvolvimento do Estado”, frisou.

Após receber a comissão, explicou Jalser Renier, o projeto passará por apreciação da Procuradoria-Geral da Casa para análise da questão legal da matéria e emissão de parecer. “Recebemos mais uma vez representantes do setor para discutir a matéria, e adiantamos que estamos dispostos a contribuir com toda e qualquer iniciativa que garanta a manutenção desses postos no setor primário”, complementou.

Legislação precisa ser menos rígida, dizem Brito e Xingu

De acordo com o deputado Jânio Xingu, o projeto de lei propõe autorizar o Estado a comercializar a reposição florestal. “Aonde se tira uma árvore, tem que se plantar três. Agora o Estado vai vender reposição para as empresas que se habilitarem a fazerem essa reposição florestal”, explicou.

O deputado estadual Brito Bezerra acrescentou que o setor madeireiro vem sofrendo redução em sua produção industrial devido à rigidez da legislação. Ele justificou a necessidade do debate, devido ao setor madeireiro, ser responsável pela geração de 2.500 empregos diretos e 14 mil indiretos. Atualmente, 42 empresas madeireiras estão fechadas, das 45 existentes em Roraima. “Devemos ter uma legislação ambiental que assegure que esses empresários trabalhem em consonância com a lei, assegurando a preservação do meio ambiente e garantindo a geração de emprego renda”, reforçou.

A Verdadeira Segurança na Fronteira vem de uma Política Externa Ética

Em vez de construir campos de internação, os EUA devem construir relações justas com a América Latina e o Caribe.

Por Danny Glover e Rep. Ro Khanna

Os horríveis relatos de famílias imigrantes sendo separadas inspiraram americanos comuns a saírem às ruas, pedindo o fim das cruéis políticas de detenção da administração Trump. Mas enquanto as recentes ações do presidente Trump levaram à um encarceramento chocante e brutal de crianças, às prisões em massa e à criminalização de imigrantes, as questões que levam migrantes e refugiados desesperados às nossas fronteiras se estendem por muitas décadas. Os progressistas devem aproveitar este momento histórico para enfrentar a longa relação disfuncional dos Estados Unidos com seus vizinhos latino-americanos e caribenhos e construir novos e mais perfeitos laços.

Há meio século, Martin Luther King Jr. argumentou que “uma verdadeira revolução de valores logo nos levará a questionar a equidade e a justiça de muitas de nossas políticas passadas e presentes”. Ao se dirigir ao hemisfério ocidental, King disse: “olhe para nossa aliança com a nobreza latifundiária da América do Sul e diga: ‘Isso não é justo’”. Agora é hora de tal revolução de valores: ao rompermos decisivamente com a política norte-americana de longa data, podemos aliviar a violência e a miséria ao sul de nossas fronteiras, para que as pessoas possam finalmente levar uma vida digna em comunidades estáveis em todas as Américas.

De fato, veja a década de 1980, quando ditaduras militares e milícias de direita na América Central – armadas, treinadas e continuamente apoiadas pelos Estados Unidos – mataram centenas de milhares de pessoas em El Salvador, Guatemala e Nicarágua, provocando uma onda de migração para os Estados Unidos. Ou olhe para o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), pró-corporativo, que deslocou milhões de mexicanos do setor agrícola, entrincheirando a pobreza e contribuindo para uma onda de imigração mexicana para os Estados Unidos. A decisão da administração Trump de acabar com as proteções para dezenas de milhares de imigrantes haitianos é apenas o mais recente golpe para um país que já teve dois de seus governos eleitos derrubados com o apoio dos EUA em um período de 13 anos. E em Honduras, hoje uma das principais fontes de crianças refugiadas desacompanhadas, foram os Estados Unidos que ajudaram a garantir o sucesso de um violento golpe militar em 2009 contra o presidente eleito Manuel Zelaya, desencadeando uma enxurrada de repressão e deslocamento.

Esse padrão de comportamento, amplamente ininterrupto, ameaça agora mergulhar no caos o maior país da América Latina, o Brasil. A política dos EUA contribuiu para um ataque da direita à democracia no país, levando à retirada inconstitucional da presidenta Dilma Rousseff em 2016. O que se seguiu – o assassinato da proeminente vereadora afro-brasileira Marielle Franco, em março deste ano, e a atual prisão do popular ex-presidente Lula da Silva (amplamente vista como uma tentativa de impedi-lo de concorrer nas próximas eleições, à qual enquetes mostram que ele ganharia por uma grande margem) – fica escancarado frente aos direitos humanos e os interesses dos Estados Unidos.

Uma visão progressista para o hemisfério, então, deve primeiro acabar com qualquer apoio militar dos EUA a governos repressivos em toda a América Latina e Caribe. Segundo, como o presidente Trump alegremente cogitou uma “opção militar” para a Venezuela, devemos parar a busca do intervencionismo e da mudança de regime contra os governos que Washington não gosta e, em vez disso, apoiar negociações pacíficas Finalmente, uma política hemisférica humana também deve rever os pactos de comércio e investimento dominados pelas corporações que roubam as nações de sua agência econômica. No Capitólio e em toda a América Latina, os primórdios da revolução moral articulada por Martin Luther King Jr. estão finalmente emergindo.

Na esteira da histórica eleição do candidato de centro-esquerda do México, Andrés Manuel López Obrador, por exemplo, os líderes do Comitê Parlamentar Progressista aplaudiram sua visão de relações internacionais que se afastam da “guerra e hegemonia”. Os democratas da maior bancada baseada em valores da Câmara prometeram avançar princípios de respeito mútuo como base para trabalhar com a nova administração do México para acabar com a crise de refugiados, a hiper-militarização da lei e a insensata guerra às drogas.

Setenta democratas do Parlamento pagaram tributo à Berta Cáceres, ativista ambiental hondurenha que foi assassinada, ao co-patrocinar a Lei Berta Cáceres sobre Direitos Humanos em Honduras. Em uma ruptura com a política típica dos EUA em relação à América Central, este projeto suspenderia toda a assistência de segurança dos EUA às forças militares e policiais do país até que sua impunidade terminasse e os direitos dos sindicalistas, jornalistas, defensores dos direitos humanos, ativistas LGBTQ e as comunidades afro-indígenas sejam protegidos.

Em vez de recuar para o isolacionismo, os progressistas estão propondo uma revisão das regras de investimento em toda a América Latina e no Caribe. Padrões trabalhistas e ambientais robustos e vinculantes para elevar os salários e acabar com a terceirização; um processo transparente e democrático para o desenvolvimento da política comercial; o fim dos privilégios legais secretos e dos tribunais antidemocráticos para as grandes corporações, consagrados em acordos como o NAFTA; e investimentos para que comunidades carentes em todos os nossos países possam pavimentar o caminho para uma cooperação econômica genuína, que priorize os trabalhadores e a proteção dos recursos naturais dos quais eles dependem.

Não há dúvida de que as imagens de crianças sofrendo em nossos centros de detenção exigem que contestemos as políticas abusivas dessa administração. Mas também deve nos inspirar a refletir sobre como curar o deslocamento massivo e a desigualdade econômica que assolam a América Latina e o Caribe, e fortalecer nossa determinação de construir um mundo mais equitativo no século XXI. Ao nos afastar de uma política atual de controle hemisférico dos EUA, os progressistas estão criando uma alternativa desesperadamente necessária: uma liderança americana digna dos nossos ideais mais elevados – que promove nossa própria soberania, respeitando a de nossos vizinhos e que promove a segurança genuína para nossos povos.

A vitória de Andrés Manuel López Obrador

Por Jandira Feghali

A vitória de Andrés Manuel López Abrador, com 53,4% dos votos dos mexicanos, renovou o ânimo de todos que lutam por uma América Latina altiva, soberana, livre de interferências externas de qualquer grande potência.

Os primeiros anúncios apontam que a frente que o elegeu  – “Juntos Faremos História” – será digna de seu nome  A partir de 1º de dezembro o novo governo terá início e metade do gabinete será composto por mulheres. Um passo importante para qualquer governo que se pretenda democrático e comprometido com as políticas de igualdade.

López Obrador terá enormes desafios, com destaque para a necessidade de responder ao anseio dos votos conquistados e também o enfrentamento às políticas de Donald Trump em relação ao México.  Com maioria na Câmara e no Senado, temos a imensa expectativa de um governo avançado, que gere forte referência para os outros paises qhe hoje lutam para retomar o comando autonomo e democrático de seu desenvolvimento, de garantia de direitos do povo, e da democracia.

 

Jandira Feghali

Dep Federal PCdoB

Membro da Rede de intelectuais, artistas e Movimentos sociais em defesa da Humanidade- Capítulo Brasil